“Todos saúdam o Rei Pedro!”, gritaram os súditos 12 vezes, enquanto o novo Rei da América reverenciava a Nação de volta pelo mesmo número de vezes. A coroação foi especial, superando marcas de personagens divinos do reino rubro-negro em uma única edição de Libertadores: o rei Zico, em 1981, e o príncipe Gabigol, em 2021, ambos com 11 tentos. Está marcado na história: 12 bolas na rede, recorde rubro-negro e taça na Gávea.

No entanto, a consagração de Pedro em 2022 não foi fácil. Tal qual o apóstolo homônimo, Pedro precisou de muita fé para superar as adversidades. Dito como primeiro seguidor de Cristo entre os 12 apóstolos, o pescador Pedro andou sobre as águas em um mar revolto, acreditando na presença de seu Senhor que estava logo à sua frente. A passagem bíblica (Mateus 14:28 – 14:30), entretanto, conta que, ao desviar o olhar, o apóstolo começou a se afogar e pediu ajuda a Jesus, que ainda estava na sua frente, e o salvou de uma morte iminente. O atacante do Mais Querido não foi tão ousado quanto o xará, porém, nunca faltou fé e confiança de que faria história com o Manto Sagrado.

O atacante do Flamengo começou esta Libertadores no banco de reservas. Foram cinco, dos seis jogos da fase de grupos, em que o camisa 21 viu o time vencer quatro partidas e empatar uma. Ele ainda marcou em duas oportunidades (Talleres, na Argentina, e Universidade Católica, no Maracanã). Contra o Sporting Cristal-PER, começou jogando em um confronto em que o Mais Querido já estava classificado e deixou a sua marca. Mais vinha muito mais pela frente.

Somente no segundo embate decisivo pelas oitavas de final, sob o comando do técnico Dorival Júnior, Pedro iniciou entre os titulares, na equipe batizada como “Time das Copas”, e explodiu para a Nação que lotou o Maracanã, diante do Tolima. Foram quatro gols, que o colocaram entre os postulantes à artilharia da competição, classificaram o Mengão e marcaram o nome do craque na história do clube, como primeiro atleta a balançar as redes quatro vezes com a camisa rubro-negra.

Na fase seguinte, marcou o gol que definiu mais uma classificação, no segundo jogo das Quartas de Final, contra o Corinthians, no Maracanã. Contudo, na Semifinal, colocou o seu nome novamente junto com os maiores da história. Com um hat trick na Argentina, no jogo de ida, na Argentina, enfrentando o Velez Sarsfield, e um gol na segunda partida, Pedro igualou Pelé e Zico. Sim, isso mesmo! O Rei da América de 2022 é o segundo jogador brasileiro, junto com o Rei do Futebol, que marcou três vezes em uma partida Semifinal de Libertadores. Logo depois, com o único gol na vitória que confirmou a terceira final do Flamengo em quatro anos na competição, o artilheiro chegou aos mesmos 16 gols que Zico fez no principal campeonato da América do Sul.

Flamenguista desde criança, Pedro já demonstrou o seu amor pelo Flamengo em cada entrevista pós-jogo. O atacante foi um Garoto do Ninho dos 10 aos 13 anos de idade. A saída precoce do clube pode ter sido a sua primeira queda, tal qual o apóstolo de Cristo. Nessa época, o atacante acabou defendendo as cores de um rival carioca. Mas o destino não possui atalhos e já estava escrito: hoje, Pedro é campeão da Libertadores pelo Flamengo, sendo coroado o Rei da América e se consagrando como maior goleador do século 21 na competição!

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