Muitos são os compatriotas rubro-negros (sim, compatriotas, pois somos uma Nação) que mesmo após dois longos meses ainda não conseguiram superar a troca repentina e inesperada de treinador que o futebol do Flamengo sofreu. ‘Adeptos’ que, otimistas ou não, seguem atormentados pela nostalgia e tristeza que a falta do antigo técnico proporciona aos corações desses torcedores. São conhecidos pejorativamente como as ‘viúvas’ de Jorge Jesus. Mas será que é à toa esse sentimento?

As ‘viúvas’ de JJ jamais viram um cara de fora das quatro linhas reger o time da forma como ele regia, com a liderança sem precedentes que nenhum outro ousou ter em toda a história do nosso Flamengo.

Lembram como o insano portuga chegou por aqui, em terras tupiniquins, quebrou paradigmas, mudou o perfil da equipe, transformou jogadores, calou jornalistas e encantou até mesmo os rivais, embora não assumam. Fez com que fôssemos da dúvida à glória eterna, do ‘cheirinho’ ao respeito. Temor eu diria.

As ‘viúvas’ de JJ têm saudade de vencer e convencer, da intensidade, do estilo doutrinador do Flamengo de outrora. Do Mister boladão, pai e carrasco, de cabelos ao vento gritando como uma fera à beira do ‘relvado’, empurrando o time pra frente, sempre pra frente, não importasse o placar. Pensavam: esse aí me representa.

Sentiam a sinergia, a união entre arquibancada e campo, cantando, apoiando, pressionando, sufocando, goleando, não parando, dando show. E no comando estava o homem ali, indócil, mascando seu chiclete. Até música ele tinha.

As ‘viúvas’ de JJ recordam que foi o sessentão alucinado que nos tirou de uma fila de 38 anos e nos deu o tão esperado bi da Liberta e de quebra o Hepta Brasileiro. Sim, nos deu. Sem JJ não teríamos conseguido e estamos vendo isso na prática.

E como era bom acordar de manhã e se deliciar assistindo à ‘saia justa’ dos comentaristas anti-Flamengo, obrigados a engolir diariamente o sucesso da ‘favela’ e todo o despeito e inveja destilados a cada programa de televisão.

No entanto, hoje, sem o sinistrão lisboeta, observam o super elenco campeão das américas, de altíssimo investimento, de atletas badalados e milionários, transformar-se num reles bando, num timinho comum, posicional e previsível.

Por outro lado, as ‘viúvas’ de JJ também têm a certeza de que não adianta remoer o passado, o que passou, passou, ficou na história, uma linda história que acabou. Sabem que o Clube de Regatas do Flamengo e a Nação Rubro-negra são maiores que qualquer um e o que enxergam à frente é a necessidade, a missão, a obrigação de viver o presente, pensar o futuro e viabilizar a reconstrução. O resto é memória, reconhecimento e gratidão. Temos todo tempo do mundo. Ou não.

Enfim, compatriota, se de alguma forma você se identificou com a narrativa desse desabafo, saiba que provavelmente também és um deles. Mas, se ser ‘viúva’ de Jorge Jesus é simplesmente querer que o ano de 2019 seja um roteiro futebolístico que se repita eternamente em nossas vidas, eu assumo, também sou, todos nós somos.

SRN. O novo sempre vem.

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