Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

Ao longo de todos os 125 anos de história, o Flamengo já teve mais de 120 treinadores. Dentre todos eles, somente sete conseguiram se consagrar campeões brasileiros: Cláudio Coutinho (1980), Paulo César Carpegiani (1982), Carlos Alberto Torres (1983), Carlinhos (1987 e 1992), Andrade (2009), Jorge Jesus (2019) e Rogério Ceni (2020).

Gostando ou não, Ceni está na história do Flamengo porque é campeão de 2 dos 14 troféus nacionais do clube. Em pouco tempo de trabalho, conseguiu dar uma cara a um time muito exposto defensivamente com Domenèc Torrent, reduzindo a média de gols sofridos em 50% ao longo do Brasileirão. Também conseguiu uma acarranda de 7 vitórias, 1 empate e 2 derrotas na reta final do último Campeonato Brasileiro, ultrapassando o então líder Internacional na penúltima rodada e sagrando o clube campeão da liga nacional pela 8ª vez.

Ceni vive sobre a sombra de Jesus e parece que não pode errar. Como errou nos primeiros jogos no qual comandou o clube em novembro de 2020 e na noite desta quinta-feira contra o Vasco. Parte das críticas são pertinentes e o treinador precisa saber lidar com isso.

Contudo, parte da torcida e da imprensa tenta trazer algum sentido de “racionalidade” a uma possível demissão do treinador a cada tropeço. É óbvio que o torcedor tem todo direito de achar o que quiser do técnico, porém tentar embasar qualquer comentário em tom de depreciação gratuita do trabalho de Ceni visando ter algum argumento lógico é uma grande loucura.

Isso também vale para jornalistas que parecem ser torcedores de arquibancada com mais força para soltar seus “clubismos e achismos”. Aí o problema já é maior, parte para uma questão de desonestidade intelectual e deturpação do seu exercício na profissão.

Esse movimento de desrespeito a Ceni parte muito do “patamar” no qual hoje o Flamengo se encontra. O Mais Querido vive um dos seus momentos mais gloriosos de toda sua história. Com mais de 70% de aproveitamento nos últimos 2 anos. Porém é preciso relembrar que o Mengão já passou por momentos muito mais conturbados e de futebol muito mais pobre em relação aos seus adversários. Antes de tudo, é preciso valorizar o que este plantel tem feito, antes de atacar com pedras a cada tropeço.

Dito posto, a conclusão é simples e até óbvia: é possível criticar Ceni e respeitar sua história no clube. Entendendo que a pressão no Flamengo é grande e que é inevitável ser pressionado sem resultados, é possível entender que Rogério vem fazendo bom trabalho e que ele já está no panteão dos principais treinadores do clube.

SRN

Twitter: ds_fortunato

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