Arquivo Nacional

Olá Nação Rubro Negra,

Hoje vamos abordar um assunto muito importante no Brasil e no Mundo – A desvalorização do Futebol Feminino. Muitos se perguntam por que o futebol feminino não é reconhecido como o masculino principalmente aqui no Brasil, onde o País é reconhecido como o País do futebol. Pois bem, como pode um País que é visto como o País do futebol, que tem uma seleção heptacampeã da copa América e uma jogadora eleita 6 vezes a melhor do mundo não valorizar o futebol feminino?

Vamos voltar a 55 anos atrás, especificamente em 1965, o governo militar proibiu e incluiu nominalmente esportes considerados inadequados para mulheres na legislação, e o futebol era um desses esportes, e a justificativa do governo era que a prática de esportes de contato não era compatíveis com o corpo da mulher. E o futebol era considerado um esporte violento, e com essa “lógica” começaram a surgir argumentos médicos dizendo que as mulheres não poderiam jogar por que poderiam levar cotoveladas no útero ou nos seios, que poderia deixá-las inférteis e não poderiam amamentar. Nessa época de proibição, mulheres chegaram a ser presas pelo descumprimento da legislação.

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Essa palhaçada foi revogada no Brasil em 1979, mas a regulamentação da modalidade só foi realizada em 1983 graças a cobrança das jogadoras e com várias determinações equivocadas como: partidas de apenas 70 minutos com intervalos de 15 a 20 minutos e a proibição da troca de camisas com as adversárias. Porém mesmo a com a revogação não houve um desenvolvimento imediato para o futebol feminino no País e podemos dizer que ainda há reflexos disso até hoje.

A primeira edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino foi no ano de 1991, o torneio foi ignorado muitos anos pelo público, e pelas emissoras de televisão abertas e fechadas até a 8a edição que aconteceu no ano de 2019 na França, a qual foi a primeira edição com a transmissão em TV aberta no Brasil e bateu o recorte de vendar de ingressos onde a final e semifinal tiverem os ingressos esgotados em menos de 48 horas. Muitas pessoas ficaram sabendo da existência da Copa do Mundo Feminina na última edição, pois nunca tinha sido tão divulgada e falada como no último ano e a transmissão contribuiu muito pra isso.

Nos últimos anos o Futebol Feminino evoluiu técnica e taticamente, e pela não valorização e a não transmissão fazem com que as pessoas tenham na cabeça que o “Futebol Feminino é ruim” o que não é verdade. Se formos falar do aspecto físico, há diferença sim entre homens e mulheres, mas isso não faz o futebol feminino ser inferior ao masculino. Quando dizem que nossas jogadoras estão “velhas” ou “desgastadas” para jogar, temos que levar em consideração a análise técnica individual de cada equipe, e não qualificar a equipe boa ou ruim pela idade das jogadas, já que algumas equipes vão pesar mais por terem jogadoras mais novas, e outras por terem jogadoras mais experientes.

Se o futebol feminino é pouco transmitido, não vai ter visibilidade, se não tem visibilidade não tem patrocínio o que não gera dinheiro, logo o salário das jogadoras será baixo. Se investimos mais no futebol feminino, na estrutura e na profissionalização não só na seleção feminina, mas desde a base de cada time e começar a dar mais visibilidade e transmitindo e dando importância aos jogos como no masculino, poderia gerar muito mais lucro e igualar a modalidade ao masculino, além das jogadores poderem receber o salário que merecem, o que já deveria ter acontecido a muito tempo. A questão é que se o futebol feminino
existe hoje, é graças a resistência dessas mulheres, que não desistiram de jogar mesmo com todas dificuldades que tiveram que enfrentar na vida pessoal e profissional e nem mesmo quando foram proibidas. Se o futebol feminino é tão desvalorizado é graças ao preconceito das pessoas que falam mal por não conhecerem o Futebol das Mulheres, e que julgam dizendo que é ruim e inferior ao masculino.

Mas nós não vamos desistir, vamos lutar, enfrentar e resistir, até conseguir surpreender e vencer seu preconceito dentro e fora do campo.

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