Diego Ribas e sua luta diária com jovens na prevenção ao suicídio

Diego Ribas e sua esposa Bruna, ambos engajados na luta contra o Suicídio. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Quinta-feira é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Segundo dados da OMS  (Organização Mundial da Saúde) , uma pessoa se suicida a cada 40 segundos no mundo, o que da uma média de 800 mil mortes anuais. A CVV (Centro de valorização à vida) idealizou o Setembro amarelo em 2015 para dar visibilidade à discussão. O CVV tem um número para ligações gratuitas que oferece apoio emocional: o 188.

Por que estamos falando disso ? Porque além de ser um tema pertinente socialmente, temos o Diego Ribas, camisa 10 do Flamengo, que juntamente com sua esposa, Bruna, fazem um trabalho na luta e na prevenção ao suicídio.

Bruna teve uma passado com suicídio em sua família, pois seu pai suicidou-se quando ela tinha apenas 7 anos de idade, porém a esposa de Ribas transformou esse choque familiar em uma luta direta, pois percebeu que muitas pessoas precisavam de ajuda.

“Decidi dar sentido à minha dor porque é uma dor que não passa. Nenhuma criança é programada para crescer sem um pai. Naquela idade, eu não processei nada, apenas vivi” — relata Bruna

“Hoje em dia, me sinto privilegiada de tocar nesse assunto e mostrar para as pessoas que isso tem saída e não é opção. Quando a gente aborda uma pessoa em depressão, tentamos dar voz a essa pessoa, para que ela externe os sentimentos, tristezas, alegrias… Talvez ela entenda que haja uma saída”– complementou a Fisioterapeuta.

Pôster da campanha de Ribas e Bruna contra o suicídio. Foto: Divulgação

Nos últimos anos, Diego tem sido um importante aliado, principalmente no trato com os mais jovens. Graças à sua posição como jogador e de ídolo, um torcedor rubro-negro que chegou a se despedir nas redes sociais voltou atrás em sua decisão. A atitude na época viralizou.

“São milhares de mensagens recebidas e tentamos ajudar sempre. Entramos em contato com a irmã (do torcedor), que disse que ele já teve esse tipo de comportamento outras vezes, mas estava bem” — conta Diego.

Outro caso em que Diego foi fundamental, aconteceu no início do ano, mas especificamente em Fevereiro, onde o jogador e o Flamengo se preparavam para a final da Supercopa do Brasil, em Brasília, quando Ribas foi abordado por um dirigente do Athletico, adversário do Flamengo na ocasião. Um menino estava internado com diagnóstico de depressão, a base  de medicamentos, pois não via mais sentido na vida depois da separação dos pais, porém uma mensagem de apoio, uma palavra amiga e principalmente de um ídolo àquela altura poderia motivá-lo e tirar de sua cabeça ideias que poderiam ser trágicas.

“Como íamos dormir por lá depois do jogo, eu me ofereci para ir ao hospital e visitá-lo. Fiquei no quarto dele uns 40 minutos conversando. No final, deixei meu número caso precisasse falar comigo” — conta o camisa 10 do Flamengo

Segundo a psicóloga Luiza Elena Valle, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela PUC de Campinas, atitudes como a de Diego Ribas e Bruna são fundamentais por se tratarem de ídolos para milhares de pessoas.

“Quanto ao Diego, ídolos têm influência enorme. São nomes que as pessoas seguem, acompanham… Vitórias deles são como se fossem nossas. Eles têm esse poder de trazer sensibilidade, já a Bruna mostra o quanto pode ser feito com as pessoas que pensam que não se deve falar no assunto. Existe muito tabu a respeito– comenta a Psicóloga.

Diego Ribas conta que dentro do esporte, também é comum existirem casos e no futebol não é diferente, porém o meia sempre que pode ajuda com conversas e conselhos que são cruciais para uma mudança de atitude.

“Existem jogadores que sofrem com isso ou que sofreram em algum período e que, diante dessa situação, acabam muitas vezes escondendo. Isso pode gerar consequências gravíssimas”, conta Diego.

Com 35 anos, com experiência em grandes clubes no Brasil e da Europa, o jogador do Flamengo consegue identificar quando um atleta está abatido, seja de seu clube ou do Ele não relata nomes, mas já teve companheiros que passaram por situações duras e que precisaram de tratamento com remédios. Líder em campo e fora dele, o camisa 10 tem um age percebendo algo diferente.

“Procuro trocar ideias, experiências, entender e explicar que isso acontece com todos nós. É preciso compartilhar nossos medos e fantasmas, porque isso torna o fardo mais leve”, finaliza Diego Ribas.

 

 

 

 

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