Foto: Bruno Baketa

“Até 2010 eu não ia de short para o estádio. Isso é bizarro, como se a roupa fosse o problema.”

No dia Internacional da Mulher, a nossa equipe fez uma matéria bem bacana com a influencer Nilvea Richa ou como todos conhecem, Nivinha. Ela citou a representativa das mulheres do Maracanã e levantou um tema interessante sobre Mulheres falando sobre futebol. Confira a entrevista Completa:

Nivinha acompanha o Flamengo nos estádios desde 87.  / Foto: Bruno Baketa

1 – Você frequenta os estádios há muito tempo, não é mesmo? Como era no inicio e quando você decidiu começar a opinar sobre Futebol/Flamengo?

– Eu frequento estádios há bastante tempo, desde criança. Maracanã desde 87. Eu opino desde que me entendo por gente (rs), mas via internet, desde 2008/2009 acho, quando criei o: Flamengo, Aspirinas e Urubus, meu antigo blog. Em vídeo, em 2009, quando criei o canal.
Muita coisa foi mudando, mas o que me chama mais atenção é a roupa. Até 2010 eu não ia de short para o estádio. Isso é bizarro, como se a roupa fosse o problema.

2 – Você deve ter enfretado algumas criticas por ser uma mulher opinando sobre o nicho e creio que até hoje enfrenta esses problemas. Como você encara esse machismo? Acha que falta mais espaços para as mulheres comentando em TV aberta?

– Enfrentei e enfrento muito até hoje! Eu não tenho problemas com críticas, mas com críticas machistas sim. Eu respondo raramente. Dependendo, se vejo o tipo de pessoa que é, se tem recorrência (porque às vezes você vai na rede social da pessoa e é só ofensa à mulher) eu bloqueio.
Falta muito espaço ainda, e, muitas vezes, o próprio colega de bancada tá lá sendo machista. É ir enfrentando isso. A luta é constante.

3 – Ano passado relatamos em uma matéria alguns abusos que as mulheres sofreram dentro do estádio do Maracanã com assédios. A luta segue constante para que mais mulheres possam ir aos estádios, sozinhas ou em grupo. Poderia deixar sua opinião, até para as meninas que criaram um certo medo de enfretarem isso?

– Eu nunca sofri abuso físico em estádio, mas sofri abuso e agressão verbal. Eu não estava sozinha, não sei o que o cara faria se eu estivesse sozinha. É um medo constante.
Eu sempre irei dar força para a mulher ir ao estádio, sozinha, acompanhada, ou em qualquer outro lugar que ela queira ir. Se depender de mim: machistas não passarão! E dizer que enfrentaremos juntas, que nunca elas estarão sozinhas.

4 – Qual foi a melhor partida que você já viu no Maracanã? Pode falar uma lembrança marcante para gente?

Eu tenho 3 marcantes: minha primeira vez no Maracanã, com toda a minha família, na final de 87. Meu pai, já falecido, comigo. Final do carioca em 2001, em que eu estava atrás do gol e pude presenciar o gol do Pet da melhor forma, e o brasileiro de 2009, em que eu também estava atrás do gol, junto com meu irmão, na hora do gol do Angelim.

5 – Como você criou esse laço com o Flamengo? Essa paixão veio de casa? Através de alguém da sua família?

Eu digo que sou Flamengo antes de ser concebida. Meu pai era rubro-negro doente, meus dois irmãos mais velhos são também. Até minha mãe, que outrora era vascaína, se rendeu. (Risos)

Foto: Bruno Baketa

Sobre a temporada:

6 – Tite convocou o trio de ataque do Flamengo, você convocaria mais alguém desse elenco?

Não, porque nem eles eu queria fora do time (risos). Brincadeiras à parte, eu convocaria Rodrigo Caio, Gerson e Diego Alves.
Hoje em dia não acompanho a seleção brasileira, mas era certo que convocariam jogadores nossos. É o que se paga pelo outro patamar.

7 – Do elenco atual, quem você admira mais?

 – Eu amo o Bruno Henrique. Eu acho que além dele ser importantíssimo para o time (óbvio) ele é um cara que fala o que pensa, que provoca, que curte o Flamengo. E isso é uma coisa que eu falo sempre: Curtam o Flamengo!

8 – No próximo jogo, Berrio ou João Lucas?

– Olha, a pergunta mais difícil. João Lucas acho que ainda será reavaliado, mas se eu estiver errada em relação a isso, João Lucas. Na verdade, eu acho que a gente deveria ter contratado laterais reservas melhores, mas como não rolou…

 

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