O Flamengo fez seus primeiros 15 minutos mais dominantes com Domènec no início do primeiro tempo. Voltando a atuar num 4-4-2/4-2-3-1, conseguiu pressionar em linha alta com Gerson e Arão ocupando o meio e sufocando o Tricolor de Aço, desde sua saída de bola à segunda bola quebrada por Felipe Alves, atacou e recuperou a bola intensamente.

Everton Ribeiro gerava jogo pelo lado direito e se associava ao ofensivo Isla atacar os espaços gerados. Do lado esquerdo, Michael dava amplitude ao time e mantinha Gabriel Dias preso na lateral. Arrascaeta atuando por trás de Pedro foi um perigo constante ao adversário por conectar rapidamente o jogo com poucos toques e aproveitar os espaços gerados pelos pontas rubro-negros. E todo esse trabalho foi coroado com o gol mágico que ER7 fez, após rebote de Pedro.

Porém jogar desta forma exige riscos, o que podemos chamar de “cobertor curto”. Com uma marcação alta e um trabalho ainda no começo, Oswaldo explorou o lado direito de Isla e além de gerar o pênalti convertido de empate do Fortaleza, quase virou o jogo com uma bola na trave. Após isso, além do fator mental do gol sofrido, taticamente o time não conseguiu preencher espaços e perdeu o meio de campo. E isto muito está associado ao posicionamento de Gerson: da forma que Dome quer jogar, precisa “guardar mais posição” e segurar menos a bola.

Ontem o Flamengo visou jogar aproveitando espaços gerados pelos pontas e não mais jogar de forma tão associativa e de trabalho de meio de campo. Atuando nesta faixa do campo, precisaria muito mais suportar Filipe Luís e Michael no momento ofensivo do que ser mais um homem a buscar ocupar espaços e isso causou bastante desequilíbrio no time após a blitz inicial. O camisa 8 precisará se adaptar à nova forma de jogo, caso contrário Thiago Maia será muito mais importante

Com a entrada de Gabigol no segundo tempo, o time perdeu sua referência no ataque e isso atrapalhou ainda mais o desenvolvimento do jogo. Apesar de buscar criar partindo da esquerda, os espaços gerados não eram ocupados e o time se tornou muito mais previsível. Foi uma segunda etapa muito abaixo, seja pelo plano tático que não conseguia ferir o clube cearense, seja pela queda física e técnica dos jogadores. Porém, o futebol é um esporte que pode ser decidido em alguns toques. Após a lesão de Pedro Rocha, o Flamengo atuou os minutos finais com 10 jogadores. O Fortaleza avançou suas linhas em busca da vitória e numa transição rápida Matheuzinho foi ao fundo, o que começou acontecer mais com a entrada do jovem, e acionou o artilheiro do Brasil no ano e ele não perdoou. Gol da vitória, do alívio, de 3 pontos importantes para manter o desenvolvimento do trabalho

É claro que Dome cometeu erros hoje, principalmente por não buscar reconquistar o meio de campo com Thiago Maia no segundo tempo. Porém os 15 minutos iniciais de hoje foram mais que esperançosos: pela primeira vez desde a saída de Jorge Jesus, o Flamengo colocou um time nas cordas e conseguiu ser dono do jogo, apresentando um futebol de altíssimo nível. Entretanto é preciso manter um ritmo próximo por mais tempo de jogo e ser menos instável no decorrer dos próximos jogos. A tendência é que isso aconteça, porém alguns ajustes precisam ser feitos.

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